terça-feira, 24 de julho de 2007

O balanço de energia, a causalidade e o acaso.

Tenho pensado muito sobre o acaso, o 'acaso' que interliga as pessoas, que torna as coisas inevitaveis, incontestaveis, do acaso que brota a vontade, do primeiro acaso que nasce a primeira premeditaçao.. mas ainda nao consigo perceber onde tudo isso está nos levando, mas consigo perceber que existe muito sofrimento ainda a ser resgatado, tamanha a infamia cíclica dolorosa das situações nas quais tu te ve obrigado a participar.

Premeditar cenas de afeto inevitavel, sem ter obtido permissão do acaso para lançar mão da comunhão perfeita entre desejo e realização, e de repente ser exposto à circunstancias para as quais voce nao se preparou (por puro acaso), dói na alma de uma forma que purga mais que a dor física, de um modo que mesmo as lágrimas não conseguem ser reunidas, de tão despedaçado que fica o ser, quando seu 'acaso' é destruido antes de ser criado (e tambem devido a necessidade de sobriedade para refletir a respeito disso e concluir que a culpa do acaso não criado é de quem o premeditou...)

Mais infame é perceber que a terceira lei de Newton é soberana, que realmente cada segundo é uma escolha, mesmo que suas consequencias caiam sobre nossas cabeças apenas depois de um ano, ou dez, ou aproximadamente 700 dias..

Se trairmos o acaso apenas em pensamentos internos premeditatórios, aumentamos as possibilidades de desilusão enquanto diminuimos as de surpreendimento. Com isso, obtemos menos eficiencia, considerando-nos como uma máquina movida à troca de estimulos.
(No entanto, quando obtem-se a eficiencia momentânea, o sabor de jubilo nos torna, imediatamente 'Deus')
Em contrapartida, trair o acaso 'com testemunhas' é tomar papel de vilão na trama onde você torna-se algoz de si mesmo, perdendo Joule em elucubrações acerca do que voce gostaria de ser, e não é, o que gostaria de fazer, e não faz.

Quando cultivamos qualquer afeto em silencio, para que se torne, como deve ser, incontestavel e inevitavel, que seja ainda parceiro do acaso (portanto contemplado por sua plena e deliciosa naturalidade) seguramos a onda de uma dor que não merece ser compartilhada com ninguem, principalmente com quem toma papel principal na trama.
Se fosse possivel, esqueceriamos desse afeto nos mesmos, para que ele forjasse sua imponderável e eterna razão de existir, mais solidamente intrincado com o acaso ainda, ganhando assim mais força, mais plenitude, mais verdade inconteste e nos deixando intrigado que na verdade o 'acaso' é uma mera falta de explicação divina de um mundo perfeito totalmente determinista.

Talvez todos sejam merecedores dessa busca amorosa pela redenção, através da reencarnação e do esquecimento.
Na dúvida, trago esse 'espírito' para essa existência e confio no 'acaso'.

Insustentável leveza é aquela na qual você se vê sózinho entre multidões, na qual a tua ausencia de raizes te liberta na mesma medida em que oprime teu peito de um sentimento de vazio universal.
Nós somos merecedores dessa carga, e é esse adoravel peso que purga o verdadeiro amor incondicional.

Aprendo portanto todo dia a me despir do orgulho e ter personalidade suficiente pra não jogar com as pessoas justamente por nao subestimar suas inteligencias.
Obter autonomia através da consciencia, espontaneidade e intimidade.
Ainda há quem tema possuir ou lidar com esses atributos, quem os tem, paga o preço da exposiçao.

Mas vale a pena pagar esse preço e dormir com a cabeça tranquila no travesseiro, sabendo que voce age e pensa com o coração, sabendo que razão e emoção são apenas duas faces de uma mesma moeda, que voce nao é uma fraude, que nao vai iludir ou ser iludido e que sempre há espaço para surpreender e ser surpreendido.

Não há destino melhor que fazer a diferença na vida de alguem e poder permitir que façam a diferença na tua vida.
Chega de "amor sem paixão, corpo sem alma e pensamento sem espirito"
"Quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguem."
"Conheça-se e Aceite-se".

4 comentários:

  1. Poxa...

    Bem que você podia fazer minha redação nos concursos não é?

    :P

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  2. Fernando, o breve:
    Passarei sempre por aqui para degustar teus exercícios de escrita e reflexão.
    Saudade viu?
    Aparece.

    Marina, aquela que gosta de beber cerveja

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  3. Muito bonito o q vc escreveu. Que por acarso(rs) parece que consigo entender o q vc quer dizer no fundo dessas linhas...

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  4. Fernando, muito lindo o que escreveu. Muito poético!!
    Para ser sincera, sempre fico um tanto intimidada em sua presença e agora recordei e confirmei o porquê.
    Parabéns pelo texto e pelo esforço com que trilha os caminhos...
    Ler o que vc escreve é muitas vezes reacender a coragem e determinação adormecidas.
    Grata!

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