segunda-feira, 30 de julho de 2007

Marrom Sóbrio

" 2006, Quinta-Feira em verdade.

Enquanto a doce cabrita dangola tergiversa;
a penumbra concorre com o cigaro mas não evita o transtorno da tentativa trêmule
de retomar a arte do sorriso lírico tantas vezes ignorado quanto incompreendido.

O mesmo sorriso cínico pseudo infantil que oferece carinho enquanto admoesta a alma,
numa fogueira de sofismas, ditos sorrisos dúbios, não aquecem o coração,
mas conferem entropia às nossas intenções desprovidas de pré-objetivos.

Descarto toda essa necessidade tórrida pela razão libertadora;
pela pseudo razão libertadora,
descrita por razões pseudo libertadoras.

Descarto todo esse jogo mesquinho dos que discutem a discussão,
para por a prova seus dotes da contemporânea dialética de superfície,
infames monólogos movidos à carência esquizofrênica de quem aprova a tal:
'auto-estima-pseudo-cultural-socio-politico-acadêmica'.

Carrego antes a Bandeira de Manoel;
Percebo simplicidade amorosa e matemática de tudo aquilo,
que uma vez definido como sistema,
nos envolve, nos engole, nos reforma, nos transforma,
nos informa, nos transtorna, nos deforma e nos conquista.

Desarmado, arquiteto apenas jogos de cumplicidade mutuo expositivas.
Apenas metaforas infantis e que de tão infames,
turvam a atmosfera de um marrom sóbrio que cintila. "

(Fernando Capeletto, meados de 2006)

(P. A.)³

Poesia Aritmética Para Amor Politecnico Anônimo

"Eu sei que não deveria pensar em você, mas penso.
Eu sei que não nos conhecemos e será raro poder te dizer algo,
mas mesmo assim você me faz bem.
Você é colírio desconhecido que ilumina meus lapsos de atenção dispersa entre entes abstratos complexos e conjugados.
Não esperar nada, e ganhar um olhar de curiosidade sincera ou aleatória,
ganha meu dia, minha madrugada insone, minha aula seguinte.
Meu campo girante visual, mesmo de modo discreto e aleatoriamente não causal, cria uma equação de vínculo com o seu centro instantâneo de rotação, e me vejo solidário ao seu eixo."

(Fernando Capeletto, meados de 2006)


Quando a garra fraquejou.

"Sentimento encalacrado.
Peito oprimido.
Agonia seca que turva a vista e seca minhas lágrimas.

Saudade de quem não conheço.
Saudade do que não vivi.
Solidão, medo, covardia inercial, perdas retroativas.

Raiva, revolta, paixão.
Tristeza tão aguda e profunda que tu te questiona sobre a realidade,
sobre seus propósitos e sobre quais realmente possui valor.

Superlativo sentimento de diferença diante de um globo indiferente,
mãos atadas em circuntanciais algemas nutrem vontade sincera de desistência,
tão grande quanto o amor desperdiçado gerado a todo instante, sem destino e sem reflexão.

Uma fonte dispersa de carinho.
Capaz de incutir hérculea força em qualquer um,
na mesma medida em que sangra espiritualmente por seus proprios pulsos.

Eu não tenho palavras.
Eu me recuso a te dizer o obvio,
Eu me recuso a expor, chega!

Chega de fazer papel de palhaço e rir dor aguda que me retira o folego para chorar.
Chega de ser tão seco, imune e certo.
Chega dessa conversa sobre o amanhã.

Por que investir na pretensa pseudo felicidade futura,
as custas da angustia presente que retira a vontade de viver?
Pseudo pretensa hipotética felicidade utópica prolixa e soberba.

Meu semblante está morto.
Não confio em sorrisos.
Minhas sobrancelhas desvendam olhares impassiveis,
contornam olhos gélidos com seu tortuoso ardil de pêlos arqueados.

Meus lábios se apertam em silêncio
enquanto perco o foco de difusão da luz celeste,
deixando-me inerciar entre sombras opacas,
tal qual o vale escuro interseccionado por morros tristes.

Minha alma grita em braile para um amor cego.
Meu olhar escuta mais do que deveria e minha voz encobre o sol,
enquanto meu plexo nauseia a realidade
criando para si um inoxidável, inexorável e hermético, casulo. "


(Fernando Capeletto, meados de 2006)

terça-feira, 24 de julho de 2007

O balanço de energia, a causalidade e o acaso.

Tenho pensado muito sobre o acaso, o 'acaso' que interliga as pessoas, que torna as coisas inevitaveis, incontestaveis, do acaso que brota a vontade, do primeiro acaso que nasce a primeira premeditaçao.. mas ainda nao consigo perceber onde tudo isso está nos levando, mas consigo perceber que existe muito sofrimento ainda a ser resgatado, tamanha a infamia cíclica dolorosa das situações nas quais tu te ve obrigado a participar.

Premeditar cenas de afeto inevitavel, sem ter obtido permissão do acaso para lançar mão da comunhão perfeita entre desejo e realização, e de repente ser exposto à circunstancias para as quais voce nao se preparou (por puro acaso), dói na alma de uma forma que purga mais que a dor física, de um modo que mesmo as lágrimas não conseguem ser reunidas, de tão despedaçado que fica o ser, quando seu 'acaso' é destruido antes de ser criado (e tambem devido a necessidade de sobriedade para refletir a respeito disso e concluir que a culpa do acaso não criado é de quem o premeditou...)

Mais infame é perceber que a terceira lei de Newton é soberana, que realmente cada segundo é uma escolha, mesmo que suas consequencias caiam sobre nossas cabeças apenas depois de um ano, ou dez, ou aproximadamente 700 dias..

Se trairmos o acaso apenas em pensamentos internos premeditatórios, aumentamos as possibilidades de desilusão enquanto diminuimos as de surpreendimento. Com isso, obtemos menos eficiencia, considerando-nos como uma máquina movida à troca de estimulos.
(No entanto, quando obtem-se a eficiencia momentânea, o sabor de jubilo nos torna, imediatamente 'Deus')
Em contrapartida, trair o acaso 'com testemunhas' é tomar papel de vilão na trama onde você torna-se algoz de si mesmo, perdendo Joule em elucubrações acerca do que voce gostaria de ser, e não é, o que gostaria de fazer, e não faz.

Quando cultivamos qualquer afeto em silencio, para que se torne, como deve ser, incontestavel e inevitavel, que seja ainda parceiro do acaso (portanto contemplado por sua plena e deliciosa naturalidade) seguramos a onda de uma dor que não merece ser compartilhada com ninguem, principalmente com quem toma papel principal na trama.
Se fosse possivel, esqueceriamos desse afeto nos mesmos, para que ele forjasse sua imponderável e eterna razão de existir, mais solidamente intrincado com o acaso ainda, ganhando assim mais força, mais plenitude, mais verdade inconteste e nos deixando intrigado que na verdade o 'acaso' é uma mera falta de explicação divina de um mundo perfeito totalmente determinista.

Talvez todos sejam merecedores dessa busca amorosa pela redenção, através da reencarnação e do esquecimento.
Na dúvida, trago esse 'espírito' para essa existência e confio no 'acaso'.

Insustentável leveza é aquela na qual você se vê sózinho entre multidões, na qual a tua ausencia de raizes te liberta na mesma medida em que oprime teu peito de um sentimento de vazio universal.
Nós somos merecedores dessa carga, e é esse adoravel peso que purga o verdadeiro amor incondicional.

Aprendo portanto todo dia a me despir do orgulho e ter personalidade suficiente pra não jogar com as pessoas justamente por nao subestimar suas inteligencias.
Obter autonomia através da consciencia, espontaneidade e intimidade.
Ainda há quem tema possuir ou lidar com esses atributos, quem os tem, paga o preço da exposiçao.

Mas vale a pena pagar esse preço e dormir com a cabeça tranquila no travesseiro, sabendo que voce age e pensa com o coração, sabendo que razão e emoção são apenas duas faces de uma mesma moeda, que voce nao é uma fraude, que nao vai iludir ou ser iludido e que sempre há espaço para surpreender e ser surpreendido.

Não há destino melhor que fazer a diferença na vida de alguem e poder permitir que façam a diferença na tua vida.
Chega de "amor sem paixão, corpo sem alma e pensamento sem espirito"
"Quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguem."
"Conheça-se e Aceite-se".

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Em breve...

Cansado de dividir discursos, filosofias e testamentos em dezenas de scraps de 1024 caracteres...
E sem perfil que possa considerar 'atual' depois que se passem 3 dias...
Agora meus problemas estão resolvidos.
Em breve, Fernando, o breve.