terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Dedilhando no silencio.

Eu nem percebi quando o Gian tirou essa foto, na republica da fernao.
Gosto especialmente dessa foto porque ela me lembra o que eu estava pensando, e em quem eu estava pensando, enquanto dedilhava.
Eu me sentia (e me sinto) muito feliz e realizado pois vejo as coisas caminhando rapidamente para o alto e adquiri o 'poder de poder' fazer por onde.
Aquela segurança de quem entende o funcionamento natural das coisas.
(E enquanto eu escrevo isso, ironicamente o Tim Maia está tocando na Globo, dedilhando lentamente 'azul da cor do mar' no exato trecho em que dizia 'tenho muito pra contar, dizer que aprendi', como que concordando e dizendo 'amem', sério, isso não estava no 'script' desse post... hahaha)

Enfim, penso que ideias e palavras, textos, conversas, sao projeçoes do pensamento, toda projeção difere do original, então por mais que eu me esforce em dizer o que penso, o que você entenderá será sempre um modo, uma parcela. E isso porque o pensamento é muito maior que qualquer código de linguistica ou linguagem, mas, embora limitante, 'pensar por palavras' tem sido nosso unico meio de trocar pensamentos.

A musica é um pouco mais complicada, ela envolve sentimento, e o sentimento é uma projeção do 'pensar sem palavras', então quando unimos letra e melodia, unimos 'pensar sem palavras' com 'pensar com palavras'.
Dedilhar, economizar termos, sem palavras, na essencia é puro sentimento e ainda mais proximo do pensamento natural livre.

A foto, a imagem, pra quem 'esteve lá', é um atalho rápido à memoria, um modo de reviver aquele momento por aquela imagem. (E pra quem 'nao esteve lá', é sempre um 'meio de teletransporte' que vence o tempo e o espaço e nos desloca ao menos em pensamento para a cena vivida pelo outro, é o poder do truque de tentar 'entrar na cena' e se manter permanentemente presente daqueles que amamos.)

Tocar pensando em alguem é como uma oração, uma conexão mental sem testemunhas nem mesmo dos proprios conectados, que apenas sentem uma brisa de afeto tocar o rosto sem saber de onde veio aquele sopro que lhe aqueceu o coraçao.

Eu acredito que aconteça desse modo e escolho agir assim.
Parece complexo mas é um ciclo amoroso e construtivo extremamente simples na verdade, cuja beleza está em poder gerar a todo instante e em qualquer local, e mesmo a distancia, aproximação.

Quanto mais compreendo que é assim que funciona, mais eu consigo realizar meus sonhos e realizar meus destinos indo de encontro a tudo que escolhi colocar na minha vida e no meu coraçao.

Porque o céu é o limite, e quanto mais o tempo passa e seus sonhos nao mudam, mais voce se sente preparado para conquista-los.
E por essas e outras que, quando olho pra mim nessa foto, me remeto ao momento em que dedilhava, re-ouço a musica que tocava, e no silencio da minha mente penso no que pensava, sinto o que sentia, alimento o que me alimenta.

E a felicidade de poder realizar sonhos e um presente delicioso que preciso compartilhar, ter com quem comemorar, estourar sua champagne, poder fazer a diferença na vida de quem amo e permitir que eles façam a diferença na minha.
Nesse dedilhar, eu pensava exatamente nisso, na vontade de compartilhar minha luta, minhas conquistas, minhas comemoraçoes e meu amor, E na saudade de poder trocar sorrisos, abraços, afetos e olhares sem mais precisar de textos e imagens para transpor o limite da distancia.

E na eminencia de finalmente poder realizar isso (depois de diversas batalhas vencidas que engrossaram o meu couro e me deram envergadura) quando o Gian tirou essa foto eu estava looonge, eu estava conversando mentalmente com voce, dizendo ('onde quer que voce esteja agora, receba minha força, sinta nesse segundo uma brisa que lhe aqueça o coraçao e saiba que sou eu, sou eu me fazendo presente).
E eu sei que quando voce ver esse post vai conseguir ouvir alguma musica desse silencio dedilhado que tem sido sentir saudade.
E eu sei tambem que quando eu voltar a dedilhar no testemunho da sua presença, voce vai ter nos meus olhos e no meu violão a musica que as nossas vidas merecem.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Teoria de Filtros: Resposta Infinita ao Impulso Passional.

Sorte de hoje: Faça apenas o que o coração manda.

Deparei-me com isso hoje no orkut.
Fiquei minutos pensando no que acabara de ler, e gargalhei.
Gostosamente imaginei que sorte esquisita seria seguir tal impulso.
E o esquisito se torna especial na mesma forma de onda na qual essa angustia engraçada se torna saborosa.
Como poderia apenas fazer o que manda o coração se minha cardio-resposta em frequencia tem comprimento infinito quando impulsionada.
Quantos coeficientes predizem o que nunca aconteceu, quantos blocos de atrasos explicam a saudade do inédito, aquela irresistivel sensaçao de náo-causalidade de quem saboreia uma hipotese antes de comprova-la.
E isso vale por todos os atrasos que precisaremos pagar.
Meu sangue se retifica como diodo de tal modo que minhas pernas tremem complexas e conjugadas quando apoiadas em vinculo hipostatico, e se engastadas de modo sobredeterminado, o formigamento causado pela falta de fluxo concatenado entre meu coraçao e meus membros (aquela ausencia de terceira lei de newton que não te deixa nem refletir a tempo), me toma pelos pés e sinto um misto de dor e prazer similar ao constrangimento de sentir-te no meu campo de visão periférica (muito mais que periférica, microprocessada) sem poder deter um misero instante inteiro (e não roubado), num sorriso indutivo daqueles de armazenar energia magnética por muito mais tempo que meros 5RC.
Isso sem dizer que pensar em você é ir contra a segunda lei da termodinamica.
Afinal, não posso crer que seja perda todo esse Calor gerado assim a toa.
É amigos, Lavousier estava errado.
As coisas SE criam, SE perdem E SE transformam, SIM!
E Ainda bem que é assim, isso garante a falta de isotropia, garante a distribuicao normal gaussiana do processo, garante a existencia do mito da existencia de uma `sorte de hoje`.
Em todo caso, mesmo que nao haja arbitrio, enquanto houver proposito (fonte natural renovavel da minha alma), farei o que o coracao sugerir.
(Porque quem faz desobrigado, faz com mais prazer ainda)


(Fernando J Capeletto - 12/11/07)

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Qualquer semelhança não é mera coincidência...

(Recebi este texto no email da turma de engenharia (sistemas) da Poli, quando um colega pede adiamento de prazo de entrega de relatório ao nosso professor coordenador de estágio; e ele lhe responde enviando o texto que reproduzo abaixo e pedindo solução para o 'dilema existêncial'. Respondendo uma pergunta com outra, senti a ironia na resposta implicita. Gostei do texto que ele enviou e fiquei pensando nas coincidências das problemáticas, que, certamente, não é exclusividade do ensino de filosofia... basta ler o texto adaptando ao seu contexto adequado daquele existente nos grupos que nos envolvem...)

Título: Curso de Filosofia no Brasil: há um erro nisso.
Autor: Paulo Ghiraldelli Jr

Como podemos entrar em uma aula de ética, lermos um texto clássico de ética e, no entanto, em nenhum momento, nos questionarmos sobre nossas próprias posições, no "aqui e agora", quanto ao conteúdo ético delas?
Como podemos entrar em uma aula de teoria do conhecimento, lermos um texto clássico do assunto e, no entanto, em nenhum momento, nos questionarmos se a "teoria da verdade" que usamos no cotidiano é satisfatória ou não?
Esses dois exemplos já bastam para percebermos o quanto o curso universitário de filosofia no Brasil não visa criar filósofos, e nem professores de filosofia. Visa criar indivíduos que temem a filosofia.


Temer a filosofia é jamais colocar em xeque aquilo em que se acredita ou, talvez mais grave ainda: é nem mesmo explicitar aquilo que no que se acredita.
Crenças e desejos nossos são escondidos, e tememos a filosofia que quer que eles se explicitem e sejam julgados, do mesmo modo que o paciente de uma terapia psicanalista se revolta quanto é agarrado pela teoria, que revela seus complexos e fraquezas.
Em termos da teoria social, poderíamos, com alguma flexibilidade, chamar esse comportamento de um nome simples: alienado.
É alienado, nesse sentido, o aluno ou o professor que pode ler durante horas, por exemplo, um tratado sobre a felicidade e, em nenhum momento, fazer a pergunta: e eu, sou feliz?
É alienado o aluno que consegue fazer um prova, responder as questões e, no entanto, não se comprometer como nenhuma delas pois, afinal, aquilo tudo era "para tirar nota".
É alienado o professor que dá todo dia a mesma aula e nunca quer discutir, pois parte do pressuposto que o que aprendeu é verdade e que ninguém teve outra idéia depois do que ele aprendeu.
É alienado aquele que quer a "lição", sem saber fazer uso, para sua vida, de tal lição.

O que ocorreu com a filosofia que ela criou a alienação, ou seja, justamente a sua antítese?Podemos recuar até Platão e imaginar que Sócrates, ao fazer filosofia nas ruas, diretamente, tinha por objetivo não deixar que a filosofia fosse discutida como uma meta-atividade. E por isso mesmo ele nada escreveu. Era como se ele tivesse o pressentimento de que o futuro da filosofia ficaria comprometido, pois em vez de filosofar as pessoas poderiam começar a "tomar a lição" uma das outras a respeito do que ele escreveu. E, de fato, uma vez desenvolvida como ensino, em templos e mosteiros e não mais nos jardins de Epicuro, isso ocorreu.
E Platão, mesmo tendo escrito em forma de diálogos, talvez tenha impulsionado o movimento que veio depois, já com Aristóteles e, enfim, com a filosofia medieval – e que ainda conquista muitos hoje em dia, principalmente no Brasil.
Que movimento? O de fazer da filosofia um academicismo a mais.
Mas culpar Platão, assim, é errado. O que vivemos é algo que Platão jamais pensou que iria ocorrer. Platão viu de perto gente muito estúpida. Ele próprio se decepcionou com governantes que disseram a ele que iriam filosofar, mas que traíram a filosofia.

Todavia, Platão nunca chegou a ver de perto, mesmo, o tipo de pessoa que surgiu em nossa época, principalmente no Brasil, e que muitas vezes não se acomoda em seu lugar, que seria um curso qualquer que nada tivesse a ver com a reflexão.
Não estou dizendo, aqui, que contrariamos Kant, que dizia que o correto era ensinar a filosofar e não ensinar filosofia. Estamos aquém desse erro denunciado por Kant. O que se faz nos cursos de bacharelado ou licenciatura em filosofia é bem pior. O que se faz é o não uso da filosofia.

Lemos Sartre e ele nos coloca diante da dúvida do rapaz que não sabe se vai para a guerra ou se fica para cuidar da mãe. Mas mesmo diante de um problema assim, bastante concreto, não ousamos nem um pouco em tomar o problema para nós e, vivendo o problema, filosofarmos. Estamos impedidos de agir assim.
Não é hipocrisia, embora também seja.
É uma espécie de embotamento do espírito.
Nada que vem dos livros nos parece real, nada nos interessa.
Aprendemos a sermos assim lá na escola básica, e continuamos assim no curso superior, mesmo que ele seja de ... filosofia! Não é o caso aqui de dizer que existe o aluno ruim e o bom aluno, ou o professor que é filósofo e o professor que nem professor é.
Não é essa a questão.
A questão é mais profunda.
O que denuncio é que os cursos de filosofia criaram o aluno que "copia matéria" do quadro e que lê mecanicamente o que o professor mandou.
Ele não entende o que copia e o que lê pois ele foi impedido, desde criança, de se abrir para as "experiências do pensamento e do coração".
Não pode pensar do mesmo modo que não consegue mais fazer sexo.
Não pode amar do mesmo modo que não consegue mais ter prazer em resolver um problema de lógica.
Não pode pensar e não pode sentir.
Não é capaz de cravar experiências no mundo.
Não é capaz de arrancar sangue das próprias veias ao ler textos como o "Julgamento de Sócrates" ou o aforismo 22 de Além de Bem e Mal.
Não consegue usufruir de vivências. Nem mesmos as suas próprias. Não as tem! Está aquém da filosofia porque está aquém da vida.

O curso de filosofia, em vez de despertar tal pessoa, a premia dizendo que é assim que ela deve ser.
Ela deve ser um ... um tipo animalóide.
Ela não pode ler livros pois ela, como Paulo Freire dizia, não aprendeu a "ler o mundo".
Assim, anos e anos passam e vários cursos de filosofia no Brasil soltam para a vida alguns infelizes que foram diplomados filósofos, mas que não podem filosofar. Não podem filosofar pois não podem dizer se gostam ou não de banana, se aprovam ou não a democracia, se acham certo ou não que a experiência conduza a ciência mais que a matemática a pode conduzir, etc.
Nada disso podem dizer.
Pois não são problemas afeitos a eles.
Eles não conseguem ver em que medida a filosofia que supostamente aprenderam pode ser usada no cotidiano de suas vidas. Às vezes são estúpidos e não saem do lugar.
Mas às vezes, gente assim, até arranca um mestrado e um doutorado, e se transforma em "pesquisador de filosofia" – mas continua sem poder filosofar.
Pois o embotamento da alma é uma doença que se torna crônica.
E ela leva à morte muito cedo.
O senso comum prevalece, então, no interior da sala de aula de filosofia.
Os preconceitos proliferam, e nada é possível de ser levado para o campo filosófico. Quando alguém tem uma pergunta e quer discutir, mesmo no curso de filosofia, caso o professor descuide é possível que algum colega (ou mesmo o professor!) venha a dizer: "ah, deixa para lá, isso é filosofia". Sim, essa frase, que é comum na boca de transeuntes do senso comum, já aparece agora até mesmo nos cursos de filosofia. É o ódio à filosofia por parte dos que se matricularam em um curso de filosofia. Sim – o ódio daquilo que se escolheu fazer!
Pensar, imaginar, "pensar alto", "fazer devaneios", criar inferências – tudo isso é proibido.
E mais proibido ainda se tudo isso vier para articular o que os filósofos falaram com o que cada um ali no curso acredita.


A filosofia é posta nos cursos de filosofia do mesmo modo que a técnica da mecânica é posta para quem vai tirar carta de motorista: sabe-se que o carro tem motor, breque, que precisa de gasolina e manutenção. Mas só! O carro é o carro, o motorista é o motorista. Eles estão juntos, porém isolados. Isso é o curso de filosofia: o livro é colocado na mão do aluno, mas o aluno continua lá, isolado do livro.
Ele prefere o quadro.
Ele quer copiar.
Ele não sabe mais o que é uma aula de filosofia, ele só sabe que em sala de aula ele tem de preencher um caderno.
A relação entre o aluno e o livro não ocorre.
E o professor não consegue fazê-la ocorrer na medida em que ele, não raro, já é fruto daquele mesmo tipo de curso de filosofia. O curso em que ninguém pode pensar, que ninguém pode sentir.
Que curso é este?
É um curso para rinocerontes, advogados de porta de cadeia, padres frustrados, donas de casa cujo marido não volta pois tem amante, crianças com pelos nas mãos e, enfim, anões – anões mentais.

Ensina-se filosofia no Brasil, hoje, como se ensina Direito no Brasil: decorar a lei é tudo.
Basta decorar e, depois, diante de um crime, aplicar.
Discutir se a lei é moral ou não?
Nunca!
Discutir se a investigação do crime usou de critérios válidos ou não?

Nunca!
O ensino do Direito, que criou levas de advogados analfabetos, que infestam a nação como uma praga que só pode ser extirpada com a pulverização de cultura do mesmo modo que se pulveriza uma lavoura cheia de gafanhotos, é o modelo para todo o nosso ensino e, agora, até mesmo para o ensino de filosofia. No passado, esse ódio à filosofia era próprio de cursos muito práticos.
Nós filósofos reclamávamos de ter de lidar com pedagogos, pois eles não queriam refletir, queriam ir direto para a prática educacional.
Nós filósofos reclamávamos que o aluno de engenharia não queria mais deduzir fórmulas e nem mesmo discutir a situação energética do país, pois queriam ou tomar conta do escritório do papai ou prestar um concurso e ganhar dinheiro rápido.
Nós filósofos reclamávamos dos alunos de ... ora, nós reclamávamos de tudo.
Nós estávamos no paraíso e não sabíamos. Vivíamos querendo encontrar alunos de filosofia, jovens, achando que eles iriam conversar de filosofia conosco.
Um dia, então, nós filósofos chegamos a encontrar os tais alunos de filosofia e ... pimba! Eis que eles eram piores que aqueles pedagogos e engenheiros que criticávamos. Hoje, é mais fácil achar quem gosta de filosofar em outros cursos do que nos cursos de filosofia.

Nos cursos de filosofia é proibido filosofar.
Não vamos longe com isso.
Nosso país não vai sair do Terceiro Mundo.
O país está ficando mais embrutecido e a filosofia não conseguiu ser uma ilha.
Hoje, a barbárie invadiu até mesmo os cursos de filosofia.


Alguns professores de filosofia, desesperados, querem sair do ensino, querem deixar a sala de aula.
Eles não querem ver aquilo que amavam se deteriorar. Talvez por isso eu tenha deixado de ensinar filosofia no Brasil.
Era a barbárie que estava batendo na minha porta, e que agora, de fato, invadiu o que era nosso lar, as salas de filosofia.
Há como sair disso?
Difícil.
Nossa juventude, apesar de sido criada assistindo o "TV Colosso", que tinha o personagem "Capachão", talvez tenha se acostumado com ele, em vez de perceber que ele era para servir de contra-exemplo.
Nossa juventude, em grande parte, é lambe-botas.
Os conservadores são conservadores.
Os que ficaram na esquerda são mais conservadores ainda!

Nossa juventude está com o espírito embotado a ponto de aderir à covardia mais deslavada.
Não raro, em vez de estudar e vir desafiar o professor, nossa juventude vem nas aulas para bajular o professor e conseguir nota ou bolsa.
Isso na universidade pública.
Na particular, faz pressão, quer que o professor se submeta à mediocridade.

Até mesmo no curso de filosofia isso ocorre, um curso em que a nota seria o menos importante e o diploma menos ainda.
Todavia, nossa juventude não sabe fazer outra coisa. Ela é covarde e nem sabe que é covarde . Essa juventude, aliás, nem sabe lidar com a Internet, pois ela gosta de copiar matéria do quadro – como aquele tolo que, antes, achávamos que só existia "nos outros cursos", não na filosofia.

É claro que há indivíduos que não se encaixam nisso.
Eles existem, sim.
Mas tenho dó deles.
Caso não consigam ter algum filósofo autêntico por perto, irão amargar ter nascido em um Brasil que perdeu o rumo.
Esses poucos, caso não encontrem apoio nos poucos filósofos autênticos que sobreviveram por aí, poderão subir.
É preciso muita força para nadar contra a correnteza.

domingo, 9 de setembro de 2007

Impressões Compartilhadas Documentadas #1

[KUNDERA,Milan] 1984 - A Insustentável leveza do ser

(Meditações sobre a "Leveza Insustentável" a dualidade, a inversão da dualidade, o ciclicismo, a compaixão e o determinismo, entre outras elucubrações. Em momento oportunido, atualizarei este post com as minhas digestões acerca)


  • Apêndice #1.a
    Autor: Cristine Martin
    Fonte:
    http://ratodebiblioteca.clickblog.com.br/2007/02/09/a-insustentavel-leveza-do-ser-%E2%80%93-milan-kundera/

    Nietzche afirma a idéia do eterno retorno, ou seja, que todos os acontecimentos da vida de cada um, e da história da humanidade, irão repetir-se inúmeras vezes; que tudo o que acontece já aconteceu antes e irá se repetir. Milan Kundera nega esta idéia, dizendo que o eterno retorno é o mais pesado dos fardos, e que a ausência total de fardo faz com que os movimentos humanos sejam tão livres quanto insignificantes.
    O que escolher?
    O peso ou a leveza?
    Este é o tema central deste romance.
    Através da história de dois casais, Tomas e Tereza, e Franz e Sabina, ele mostra que todas as nossas ações não têm sentido, exatamente porque nossas ações não se repetem, e nossa vida não acontece senão uma vez.
    Isso confere leveza à nossa existência;
    nossos atos são leves porque suas conseqüências não importam;
    são insignificantes.
    Tomas e Tereza são impelidos um ao outro por uma série de acasos, e estão condenados a viver juntos, embora causando um ao outro grande dor. Eles acreditam que estas coincidências são uma marca do destino; Tomas lembra uma frase de um quarteto de Beethoven que diz: “Muss es sein? Es muss sein! Es muss sein!” (Tem de ser assim? Tem de ser! Tem de ser!) Ele considerava que seu amor por Tereza era um es muss sein em sua vida, uma força que o impelia, o destino. Este es muss sein também o impele à profissão médica, às mulheres, e a abandonar sua profissão quando se recusa a se retratar por um artigo escrito por ele, e que é considerado subversivo pelas autoridades comunistas (estamos em Praga, após a invasão russa de 1968).
    Tereza deseja libertar-se da invasão de sua privacidade simbolizada pela mãe, pelas limitações de sua vida, e encontra em Tomas os sinais do acaso ou destino: Beethoven, números coincidentes, livros. Ela acredita que somente o acaso tem voz; o que acontece todos os dias, e se repete, não é senão uma coisa muda. Os sinais que a ligaram a Tomas significavam para ela um outro mundo ao qual desejava pertencer, para escapar de sua vida sem sentido.
    Sabina, pintora tcheca e uma das inúmeras amantes de Tomas, também deseja fugir das limitações de sua vida, e encontra na traição o meio de se libertar. Somente traindo ela pode, ao negar, escolher um outro caminho. “Trair é sair da ordem. Trair é sair da ordem e partir para o desconhecido. Sabina não conhece nada mais belo que partir para o desconhecido”.
    Franz é um idealista; acredita que uma Grande Marcha da história irá levar a humanidade para a frente. Franz achava sua vida irreal, e desejava a vida “real” das revoluções, marchas e desfiles. Sabina representa, para ele, o ideal, simbolizado pela resistência de seu país ao domínio russo; conseqüentemente, representa seu ideal feminino; quando ela o abandona, ele toma coragem para mudar sua vida, mas tudo que faz é para os olhos de Sabina.
    Kundera mostra a futilidade dessas ações idealistas, especialmente no capítulo A Grande Marcha, onde vemos Franz em uma passeata na fronteira do Camboja, onde as ações idealistas não significam nada, pois são apenas palco para a vaidade humana, e não alteram o curso dos acontecimentos.
    Todas essas vidas, unidas por acasos, simbolismos, e palavras incompreendidas, têm uma insustentável leveza, pois seja qual for a decisão que tomemos, só se tem uma vida e não se pode compará-la com as vidas anteriores nem corrigir uma decisão errada em outra vida; tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação, e como diz um provérbio alemão citado por Tomas, Einmal ist keinmal, ou seja, uma vez não conta, uma vez é nunca. Negando Nietzche, ele afirma que a vida não tem sentido, pois “não poder viver senão uma vida é como não viver nunca”.
    Este é um romance sobre relacionamentos, mas que levanta questões filosóficas: será que a vida tem sentido? Ou será o niilismo defendido por Kundera a solução? Analisando o comportamento de seus personagens, ele levanta tais questões e deixa ao leitor a decisão final; afinal, ele mesmo defende que, qualquer que seja esta decisão, terá a leveza insustentável do ser.

  • terça-feira, 28 de agosto de 2007

    Da Web 2.0 ao Capitalismo 3.0

    Reproduzo na sequencia um texto motivador ao estudo interdisciplinarizado que busco e defendo para a minha carreira de Engenharia.
    (Retirado do Portal da Cidade do Conhecimento:
    www.cidade.usp.br)


    Cenário
    A difusão de redes sociais digitais prenuncia em pleno capitalismo do conhecimento o surgimento de uma economia da colaboração, a consolidação de ações do terceiro setor e de responsabilidade social empresarial e a revalorização de ações e instituições de interesse público.
    É a emergência do Capitalismo 3.0 a partir da Web 2.0.
    O termo, criado por Peter Barnes (eleito em 1995 o Empresário Socialmente Responsável do Ano nos EUA), coloca em primeiro plano a necessidade de mudanças sociais e econômicas para que o potencial das novas tecnologias seja melhor aproveitado.
    Nem tudo ao Estado, nem dominância absoluta do mercado, ganham importância novos direitos associados a redes intangíveis que refletem uma inteligência cívica tão importante para cidadãos quanto para empresas e organizações sociais. O "creative commons" é o exemplo hoje mais conhecido de reforma capitalista associada ao controle social das redes digitais.
    Na Web 2.0 não faz sentido separar o real do digital. A competição e o mercado jamais serão os mesmos agora que o ecossistema capitalista combina territórios proprietários e não-proprietários.
    O exemplo mais recente da migraçao para novas formas de vida digital é o Second Life, onde a Cidade do Conhecimento 2.0 lidera a criação de territórios de interesse público, sem fins lucrativos, autênticas incubadoras de projetos sociais, educacionais, ambientais, culturais e de empreendedorismo tecnológico associados à emergente semântica web.
    A economia global começa a mudar seu sistema operacional. A vivência digital imersiva, marcada pela percepção não-linear, audiovisual e em profundidades e campos novos intriga pesquisadores, mercados e governos.


    Iconomia
    O século 21 começa pela convergência de três tendências de longo prazo no mundo dos negócios: a mudança de uma economia industrial de bens materiais para uma rede global de serviços, a rápida expansão de redes digitais e a emergência de novas métricas voltadas para a interconexão entre questões econômicas, sociais, culturais e ambientais.
    Estudos da OECD apontam, desde pelo menos 1986, a evolução das ocupações que se baseiam na geração, disseminação e utilização da informação e conhecimento, sobrepondo-se quantitativamente, nos países que avançam no processo de desenvolvimento humano sustentável, àquelas ocupações que se caracterizam pelo domínio de habilidade e destreza manuais para a realização de atividades produtivas.
    Dessa convergência nasce uma "iconomia", ou seja, um sistema de ícones que animam os novos mercados de informação e conhecimento organizados por mídias digitais que atendem a princípios de design social. A "guinada icônica" contemporânea reflete transformações que ocorrem nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.
    Indivíduos, organizações e mesmo nações incapazes de criar e gerenciar seus ícones e avatares serão ultrapassados pelos novos fatores de produção, em particular o teletrabalho e as novas formas de capital social, cultural e simbólico.

    segunda-feira, 30 de julho de 2007

    Marrom Sóbrio

    " 2006, Quinta-Feira em verdade.

    Enquanto a doce cabrita dangola tergiversa;
    a penumbra concorre com o cigaro mas não evita o transtorno da tentativa trêmule
    de retomar a arte do sorriso lírico tantas vezes ignorado quanto incompreendido.

    O mesmo sorriso cínico pseudo infantil que oferece carinho enquanto admoesta a alma,
    numa fogueira de sofismas, ditos sorrisos dúbios, não aquecem o coração,
    mas conferem entropia às nossas intenções desprovidas de pré-objetivos.

    Descarto toda essa necessidade tórrida pela razão libertadora;
    pela pseudo razão libertadora,
    descrita por razões pseudo libertadoras.

    Descarto todo esse jogo mesquinho dos que discutem a discussão,
    para por a prova seus dotes da contemporânea dialética de superfície,
    infames monólogos movidos à carência esquizofrênica de quem aprova a tal:
    'auto-estima-pseudo-cultural-socio-politico-acadêmica'.

    Carrego antes a Bandeira de Manoel;
    Percebo simplicidade amorosa e matemática de tudo aquilo,
    que uma vez definido como sistema,
    nos envolve, nos engole, nos reforma, nos transforma,
    nos informa, nos transtorna, nos deforma e nos conquista.

    Desarmado, arquiteto apenas jogos de cumplicidade mutuo expositivas.
    Apenas metaforas infantis e que de tão infames,
    turvam a atmosfera de um marrom sóbrio que cintila. "

    (Fernando Capeletto, meados de 2006)

    (P. A.)³

    Poesia Aritmética Para Amor Politecnico Anônimo

    "Eu sei que não deveria pensar em você, mas penso.
    Eu sei que não nos conhecemos e será raro poder te dizer algo,
    mas mesmo assim você me faz bem.
    Você é colírio desconhecido que ilumina meus lapsos de atenção dispersa entre entes abstratos complexos e conjugados.
    Não esperar nada, e ganhar um olhar de curiosidade sincera ou aleatória,
    ganha meu dia, minha madrugada insone, minha aula seguinte.
    Meu campo girante visual, mesmo de modo discreto e aleatoriamente não causal, cria uma equação de vínculo com o seu centro instantâneo de rotação, e me vejo solidário ao seu eixo."

    (Fernando Capeletto, meados de 2006)


    Quando a garra fraquejou.

    "Sentimento encalacrado.
    Peito oprimido.
    Agonia seca que turva a vista e seca minhas lágrimas.

    Saudade de quem não conheço.
    Saudade do que não vivi.
    Solidão, medo, covardia inercial, perdas retroativas.

    Raiva, revolta, paixão.
    Tristeza tão aguda e profunda que tu te questiona sobre a realidade,
    sobre seus propósitos e sobre quais realmente possui valor.

    Superlativo sentimento de diferença diante de um globo indiferente,
    mãos atadas em circuntanciais algemas nutrem vontade sincera de desistência,
    tão grande quanto o amor desperdiçado gerado a todo instante, sem destino e sem reflexão.

    Uma fonte dispersa de carinho.
    Capaz de incutir hérculea força em qualquer um,
    na mesma medida em que sangra espiritualmente por seus proprios pulsos.

    Eu não tenho palavras.
    Eu me recuso a te dizer o obvio,
    Eu me recuso a expor, chega!

    Chega de fazer papel de palhaço e rir dor aguda que me retira o folego para chorar.
    Chega de ser tão seco, imune e certo.
    Chega dessa conversa sobre o amanhã.

    Por que investir na pretensa pseudo felicidade futura,
    as custas da angustia presente que retira a vontade de viver?
    Pseudo pretensa hipotética felicidade utópica prolixa e soberba.

    Meu semblante está morto.
    Não confio em sorrisos.
    Minhas sobrancelhas desvendam olhares impassiveis,
    contornam olhos gélidos com seu tortuoso ardil de pêlos arqueados.

    Meus lábios se apertam em silêncio
    enquanto perco o foco de difusão da luz celeste,
    deixando-me inerciar entre sombras opacas,
    tal qual o vale escuro interseccionado por morros tristes.

    Minha alma grita em braile para um amor cego.
    Meu olhar escuta mais do que deveria e minha voz encobre o sol,
    enquanto meu plexo nauseia a realidade
    criando para si um inoxidável, inexorável e hermético, casulo. "


    (Fernando Capeletto, meados de 2006)

    terça-feira, 24 de julho de 2007

    O balanço de energia, a causalidade e o acaso.

    Tenho pensado muito sobre o acaso, o 'acaso' que interliga as pessoas, que torna as coisas inevitaveis, incontestaveis, do acaso que brota a vontade, do primeiro acaso que nasce a primeira premeditaçao.. mas ainda nao consigo perceber onde tudo isso está nos levando, mas consigo perceber que existe muito sofrimento ainda a ser resgatado, tamanha a infamia cíclica dolorosa das situações nas quais tu te ve obrigado a participar.

    Premeditar cenas de afeto inevitavel, sem ter obtido permissão do acaso para lançar mão da comunhão perfeita entre desejo e realização, e de repente ser exposto à circunstancias para as quais voce nao se preparou (por puro acaso), dói na alma de uma forma que purga mais que a dor física, de um modo que mesmo as lágrimas não conseguem ser reunidas, de tão despedaçado que fica o ser, quando seu 'acaso' é destruido antes de ser criado (e tambem devido a necessidade de sobriedade para refletir a respeito disso e concluir que a culpa do acaso não criado é de quem o premeditou...)

    Mais infame é perceber que a terceira lei de Newton é soberana, que realmente cada segundo é uma escolha, mesmo que suas consequencias caiam sobre nossas cabeças apenas depois de um ano, ou dez, ou aproximadamente 700 dias..

    Se trairmos o acaso apenas em pensamentos internos premeditatórios, aumentamos as possibilidades de desilusão enquanto diminuimos as de surpreendimento. Com isso, obtemos menos eficiencia, considerando-nos como uma máquina movida à troca de estimulos.
    (No entanto, quando obtem-se a eficiencia momentânea, o sabor de jubilo nos torna, imediatamente 'Deus')
    Em contrapartida, trair o acaso 'com testemunhas' é tomar papel de vilão na trama onde você torna-se algoz de si mesmo, perdendo Joule em elucubrações acerca do que voce gostaria de ser, e não é, o que gostaria de fazer, e não faz.

    Quando cultivamos qualquer afeto em silencio, para que se torne, como deve ser, incontestavel e inevitavel, que seja ainda parceiro do acaso (portanto contemplado por sua plena e deliciosa naturalidade) seguramos a onda de uma dor que não merece ser compartilhada com ninguem, principalmente com quem toma papel principal na trama.
    Se fosse possivel, esqueceriamos desse afeto nos mesmos, para que ele forjasse sua imponderável e eterna razão de existir, mais solidamente intrincado com o acaso ainda, ganhando assim mais força, mais plenitude, mais verdade inconteste e nos deixando intrigado que na verdade o 'acaso' é uma mera falta de explicação divina de um mundo perfeito totalmente determinista.

    Talvez todos sejam merecedores dessa busca amorosa pela redenção, através da reencarnação e do esquecimento.
    Na dúvida, trago esse 'espírito' para essa existência e confio no 'acaso'.

    Insustentável leveza é aquela na qual você se vê sózinho entre multidões, na qual a tua ausencia de raizes te liberta na mesma medida em que oprime teu peito de um sentimento de vazio universal.
    Nós somos merecedores dessa carga, e é esse adoravel peso que purga o verdadeiro amor incondicional.

    Aprendo portanto todo dia a me despir do orgulho e ter personalidade suficiente pra não jogar com as pessoas justamente por nao subestimar suas inteligencias.
    Obter autonomia através da consciencia, espontaneidade e intimidade.
    Ainda há quem tema possuir ou lidar com esses atributos, quem os tem, paga o preço da exposiçao.

    Mas vale a pena pagar esse preço e dormir com a cabeça tranquila no travesseiro, sabendo que voce age e pensa com o coração, sabendo que razão e emoção são apenas duas faces de uma mesma moeda, que voce nao é uma fraude, que nao vai iludir ou ser iludido e que sempre há espaço para surpreender e ser surpreendido.

    Não há destino melhor que fazer a diferença na vida de alguem e poder permitir que façam a diferença na tua vida.
    Chega de "amor sem paixão, corpo sem alma e pensamento sem espirito"
    "Quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguem."
    "Conheça-se e Aceite-se".

    segunda-feira, 23 de julho de 2007

    Em breve...

    Cansado de dividir discursos, filosofias e testamentos em dezenas de scraps de 1024 caracteres...
    E sem perfil que possa considerar 'atual' depois que se passem 3 dias...
    Agora meus problemas estão resolvidos.
    Em breve, Fernando, o breve.