segunda-feira, 30 de julho de 2007

Quando a garra fraquejou.

"Sentimento encalacrado.
Peito oprimido.
Agonia seca que turva a vista e seca minhas lágrimas.

Saudade de quem não conheço.
Saudade do que não vivi.
Solidão, medo, covardia inercial, perdas retroativas.

Raiva, revolta, paixão.
Tristeza tão aguda e profunda que tu te questiona sobre a realidade,
sobre seus propósitos e sobre quais realmente possui valor.

Superlativo sentimento de diferença diante de um globo indiferente,
mãos atadas em circuntanciais algemas nutrem vontade sincera de desistência,
tão grande quanto o amor desperdiçado gerado a todo instante, sem destino e sem reflexão.

Uma fonte dispersa de carinho.
Capaz de incutir hérculea força em qualquer um,
na mesma medida em que sangra espiritualmente por seus proprios pulsos.

Eu não tenho palavras.
Eu me recuso a te dizer o obvio,
Eu me recuso a expor, chega!

Chega de fazer papel de palhaço e rir dor aguda que me retira o folego para chorar.
Chega de ser tão seco, imune e certo.
Chega dessa conversa sobre o amanhã.

Por que investir na pretensa pseudo felicidade futura,
as custas da angustia presente que retira a vontade de viver?
Pseudo pretensa hipotética felicidade utópica prolixa e soberba.

Meu semblante está morto.
Não confio em sorrisos.
Minhas sobrancelhas desvendam olhares impassiveis,
contornam olhos gélidos com seu tortuoso ardil de pêlos arqueados.

Meus lábios se apertam em silêncio
enquanto perco o foco de difusão da luz celeste,
deixando-me inerciar entre sombras opacas,
tal qual o vale escuro interseccionado por morros tristes.

Minha alma grita em braile para um amor cego.
Meu olhar escuta mais do que deveria e minha voz encobre o sol,
enquanto meu plexo nauseia a realidade
criando para si um inoxidável, inexorável e hermético, casulo. "


(Fernando Capeletto, meados de 2006)

Um comentário:

  1. só sentimos saudades do que nao volta.. o que te falta?

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